sábado, 24 de abril de 2010

A PROPÓSITO DE PRESSÕES...

Atendendo aos diversos processos que nascem sem pais assumidos, que vivem nos jornais e que morrerão sem defuntos, vale transcrever um passo do livro "Shalimar o Palhaço", de Salman Rushdie, sobre o poder e as pressões:

"A natureza do poder absoluto é tal que o homem poderoso não precisa de mencionar o seu poder. Está presente na consciência de todos. Assim, o poder age de uma maneira furtiva e, consequentemente, os poderosos poderão negar que alguma vez o terão usado."

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

SERÁ VERDADE (II)?







O artigo que abaixo se transcreve deveria ter sido publicado no Jornal de Notícias, mas este órgão de comunicação social não o fez, razão pela qual Mário Crespo deixou de nele colaborar semanalmente.
A confirmar-se o teor deste artigo, o próximo era Mário Crespo.
Triste.
Lamentável.
Preocupante.
Recorrente.
Censório.
Contra as liberdades.
Que dirão aqueles que iniciaram as comemorações dos 100 anos da República celebrando a ética republicana - como se a ética fosse adjectivável ou só e apenas sua?


O Fim da Linha
Mário Crespo
Terça-feira dia 26 de Janeiro. Dia de Orçamento. O Primeiro-ministro José Sócrates, o Ministro de Estado Pedro Silva Pereira, o Ministro de Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão e um executivo de televisão encontraram-se à hora do almoço no restaurante de um hotel em Lisboa. Fui o epicentro da parte mais colérica de uma conversa claramente ouvida nas mesas em redor. Sem fazerem recato, fui publicamente referenciado como sendo mentalmente débil (“um louco”) a necessitar de (“ir para o manicómio”). Fui descrito como “um profissional impreparado”. Que injustiça. Eu, que dei aulas na Independente. A defunta alma mater de tanto saber em Portugal. Definiram-me como “um problema” que teria que ter “solução”. Houve, no restaurante, quem ficasse incomodado com a conversa e me tivesse feito chegar um registo. É fidedigno. Confirmei-o. Uma das minhas fontes para o aval da legitimidade do episódio comentou (por escrito): “(…) o PM tem qualidades e defeitos, entre os quais se inclui uma certa dificuldade para conviver com o jornalismo livre (…)”. É banal um jornalista cair no desagrado do poder. Há um grau de adversariedade que é essencial para fazer funcionar o sistema de colheita, retrato e análise da informação que circula num Estado. Sem essa dialéctica só há monólogos. Sem esse confronto só há Yes-Men cabeceando em redor de líderes do momento dizendo yes-coisas, seja qual for o absurdo que sejam chamados a validar. Sem contraditório os líderes ficam sem saber quem são, no meio das realidades construídas pelos bajuladores pagos. Isto é mau para qualquer sociedade. Em sociedades saudáveis os contraditórios são tidos em conta. Executivos saudáveis procuram-nos e distanciam-se dos executores acríticos venerandos e obrigados. Nas comunidades insalubres e nas lideranças decadentes os contraditórios são considerados ofensas, ultrajes e produtos de demência. Os críticos passam a ser “um problema” que exige “solução”. Portugal, com José Sócrates, Pedro Silva Pereira, Jorge Lacão e com o executivo de TV que os ouviu sem contraditar, tornou-se numa sociedade insalubre. Em 2010 o Primeiro-ministro já não tem tantos “problemas” nos media como tinha em 2009. O “problema” Manuela Moura Guedes desapareceu. O problema José Eduardo Moniz foi “solucionado”. O Jornal de Sexta da TVI passou a ser um jornal à sexta-feira e deixou de ser “um problema”. Foi-se o “problema” que era o Director do Público. Agora, que o “problema” Marcelo Rebelo de Sousa começou a ser resolvido na RTP, o Primeiro Ministro de Portugal, o Ministro de Estado e o Ministro dos Assuntos Parlamentares que tem a tutela da comunicação social abordam com um experiente executivo de TV, em dia de Orçamento, mais “um problema que tem que ser solucionado”. Eu. Que pervertido sentido de Estado. Que perigosa palhaçada.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

SERÁ VERDADE?


Pode ler-se hoje a notícia "Marcelo sai da RTP".
Do que se pode ler, com a saída, por iniciativa própria, do Dr. António Vitorino, destacado militante do PS, do comentário político na estação pública de televisão, e para assegurar o pluralismo e evitar condenações da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), a RTP irá terminar com o programa "As escolhas de Marcelo".
Decisão radical, se pensarmos que bastaria substituir o Dr. António Vitorino por outro destacado militante do PS, e haverá muitos que estariam disponíveis para esse efeito, permitindo assim continuar a ouvir o comentário político do Prof. Marcelo Rebelo de Sousa, destacado militante do PSD, Partido que já liderou.
Infelizmente não foi esta a decisão da televisão pública.
A pretexto de um querer sair, porque a presença na RTP "incomodava" o seu dia-a-dia, o que é legítimo, aproveita para fazer sair o outro, que era "incómodo".
É caso para dizer que o PS é um Partido com muita sorte - os órgãos de comunicação social tomam, constantemente, decisões que evitam a exposição pública, sobretudo na TV, de comentários ou críticas ao "estado das coisas" em Portugal. Que afastam vozes que incomodam o "status quo".
Quem será o próximo?

Uma nota final para a ERC e para o seu Conselho Regulador - entre outros membros, integra este Conselho a Drª Estrela Serrano, ex-assessora de imprensa do Presidente Mário Soares, que explicou, num trabalho muito elucidativo, como a Presidência da República utilizou então a comunicação social para atacar o Primeiro-Ministro Cavaco Silva e os seus Governos.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

SIM AO REFERENDO AO CASAMENTO HOMOSSEXUAL

Parece evidente que uma alteração deste género, que não é apenas e só política ou legislativa, mas sim e sobretudo social, deve ser objecto de referendo.
E isto não atenta nada contra a igualdade e a diferença, que deve ser respeitada.
Aliás, o princípio da igualdade significa tratar por igual o que é igual e tratar por diferente o que é diferente.
O que justificaria a criação, sim, de uma nova figura jurídica/instituto/vínculo (o que lhe queiram chamar) que consagrasse toda a disciplina do casamento, mas sem essa designação, a utilizar pelos homossexuais que entendessem formalizar/regular/proteger dessa forma a sua relação.
Se fosse este o caso, admitiria a desnecessidade de o referendar.
Tratando-se de alargar o instituto casamento a pessoas do mesmo sexo, e independentemente da consagração ou não dessa possibilidade em alguns dos programas eleitorais apresentados nas legislativas de Outubro passado, a legitimidade do Governo e da Assembleia da República para o fazerem, sem consultar especificamente os seus concidadãos, é curta.
E não se percebe o receio dos Partidos da Esquerda em aceitarem levar a referendo esta alteração social.
Porque das duas uma: ou o referendo é favorável a esta alteração, e então a sua legitimidade é inquestionável, ou o referendo é desfavorável, e então estaremos perante uma fractura social imposta por uma minoria, sem eco maioritário nos Portugueses, de todo inaceitável.
Não existindo nenhuma outra agenda fracturante escondida ("com rabo de fora"?), do referendo nada pode sair que afecte ou atente contra a protecção de direitos dos homossexuais, nem que os discrimine perante direitos dos heterossexuais casados (recorde-se que se afirma ser esta a intenção desta alteração) - na hipótese mais favorável a aplicação do instituto casamento sai reforçada; na menos favorável o legislador terá de criar uma nova figura jurídica/instituto/vínculo que responda a desejos, legítimos, dos homossexuais, naquilo que respeita a direitos e deveres de uma relação que queiram ver devidamente formalizada, institucionalizada e protegida, sem discriminação.
Só não lhe chamem casamento, porque efectivamente não o é.
Se querem mesmo chamar-lhe casamento, referendem-no.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

FRANCISCO SÁ CARNEIRO












Quando será que o PSD volta a colocar em prática esta frase de Francisco Sá Carneiro, sempre actual e que hoje, passados 29 anos da sua morte em Camarate, recordo?

"Saber estar e romper a tempo, correr os riscos da adesão e da renúncia, pôr a sinceridade das posições acima dos interesses pessoais, isto é a política que vale a pena “

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

TRAPALHADAS DE ANTÓNIO COSTA E SÁ FERNANDES



Como é possível que a gestão da cidade de Lisboa tenha continuado, é certo que com o voto legítimo e democrático dos Lisboetas, nas mãos desastradas, perigosas e incertas de António Costa e de Sá Fernandes!?
A vergonha que está a decorrer com o Jardim França Borges, mais conhecido como Jardim do Príncipe Real, aos olhos dos Lisboetas e de forma despudorada à plena luz do dia, é altamente preocupante quanto ao futuro desta nossa Lisboa.
Lê-se esta notícia no Público em http://www.publico.clix.pt/Local/obras-no-principe-real-aprovadas-anteontem-em-horas-pelo-igespar_1412262 e fica-se perplexo com tanta trapalhada e com a certeza de que, actualmente, vale tudo em Lisboa, com a cobertura de serviços públicos centrais, o que torna a situação ainda pior!
E a desprotecção do interesse público e da Cidade torna-se gritante.
Mentiras, meias-verdades, documentos oportuna e cirurgicamente ilegíveis, contradições, desrespeito pelas normas e regulamentos.
Enfim péssimo serviço público!
Tudo aquilo que não deve ser a gestão de Lisboa!
Exige-se que a CML adeque comportamentos, respeite as normas e actue defendendo o interesse de Lisboa.
Exige-se que os serviços públicos centrais sejam coerentes com a sua missão e imunes a outras conveniências e interesses que não só e apenas o interesse público e o de Lisboa.
Exige-se uma fiscalização rigorosa da actividade camarária, e uma condenação firme do desrespeito pelo interesse público e pelo interesse da Cidade, por parte dos restantes poderes municipais, isto é da Assembleia Municipal de Lisboa, da Junta de Freguesia das Mercês e dos restantes eleitos locais.
Exige-se que os Cidadãos de Lisboa se movimentem em defesa do Jardim, assinando a petição online em http://www.petitiononline.com/prpreal/petition.html.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

UMA PÉSSIMA NOTÍCIA

Segundo se pode ler hoje na Comunicação Social, o desemprego já ultrapassou a barreira dos 10 por cento, naquele que constitui o valor mais alto dos últimos 26 anos.
É muito! É demasiado!
E nem mesmo a crise pode servir como única justificação.
Há que questionar políticas, medidas e posturas. De governantes. De sindicatos. Das confederações. De empresários. De trabalhadores.
Não é possível a um país desenvolver-se num quadro de instabilidade social como aquele que esta situação, inevitavelmente, traduz.
Exige-se acção, trabalho, bom senso e sentido de equidade e de justiça.
Exige-se um quadro de referência sólido de valores e de princípios, de obrigações e de direitos, que vincule todos os agentes da relação laboral.
Exige-se imaginação, espírito de risco, seriedade e esforço. De todos sem excepção.
Para que Cidadãos, famílias e empresas vivam dignamente, e convivam saudavelmente, num mundo que pede competitividade.
A favor do sucesso individual e colectivo. Que será o sucesso do País.